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Apresentação
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Devemos
o "relativamente novo" ( se o compararmos com a pintura, o
desenho e a escultura ) fenômeno do vídeo como suporte artístico
às experimentações com o meio, na década de 60, quando vemos
o coreano Nam June Paik no papel de grande pioneiro, com sua
subversão, não só da imagem, mas inclusive do aparelho de
vídeo. Porém, se formos menos puristas em relação às mídias,
perceberemos que as principais propostas da arte que incluem
a imagem em movimento estavam sendo realizadas em outros suportes,
paralelamente, nas décadas de 60 e 70, por vezes contemporâneas
das iniciativas de Nam June Paik. O Super
8 e os trabalhos em películas de 16 e 35 podem ser considerados,
feitos os devidos descontos, como os "co-geradores" das propostas
artísticas onde a relação entre o tempo e o espaço na imagem
se afasta da esfera do inexorável para se tornar o constituinte
indispensável do discurso que se pretende. Para um produto
artístico como a pintura, o tempo é quase um "mal necessário",
uma vez que, para uma obra que pretende permanecer imutável
e preservada por gerações como um patrimônio, este mesmo tempo
acaba sendo uma espécie de inimigo do qual não se pode fugir.
Já para trabalhos realizados, seja em vídeo, seja em película,
o tempo é o que lhes justifica e dá sentido. Em projetos desta
natureza o tempo não é apenas uma cápsula obrigatória que
envolve um corpo e o modifica, mas também um objetivo. Nestes
trabalhos o tempo se repete, se manifesta, se auto-representa,
se poetiza, torna-se lírico. A poesia destes trabalhos é,
em grande parte, a poesia do tempo. Ao organizarmos uma mostra
deste tipo é justamente este universo poético que queremos
compreender melhor, organizando um evento onde seja então
possível plantar a semente de um fórum de discussões permanente,
não só no IA - UNESP, onde, sabemos bem, isso é uma inovação
mais do que esperada e bem-vinda, mas que a raiz cresça e
se espalhe, e que dela brotem mudas pelo mundo da pesquisa
artística afora.
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